sábado, 22 de agosto de 2009

LIÇÃO 9: BATISMO

I. INTRODUÇÃO:

Deus nos mostrou que o nosso estado diante dele era de rebeldia e independência. O nosso pecado fazia separação entre nós e Deus, mas o arrependimento quebrou o poder do Inimigo, do mundo e da nossa própria vontade e faz prevalecer a vontade de Deus em nossa vida. Ante dizíamos: “Eu sou dono da minha vida, sou senhor do meu destino”. Agora o nosso discurso mudou radicalmente e passamos a dizer: “Jesus é o dono da minha vida, Ele é o meu Senhor e tudo o que possuo pertence a Ele, e agora faço aquilo que Ele quer”. Diante dessa realidade, temos duas questões:

  • Qual é o meu primeiro passo para fazer a vontade do meu Senhor?
  • Como vou ter poder para fazer Sua vontade?

O primeiro passo de quem entregou sua vida a Jesus é ser batizado. Os apóstolos de Jesus pregavam o Evangelho e ensinavam que todos os que haviam crido deveriam ser batizados como sinal de sua conversão. Essa foi a experiência de todos aqueles que receberam a Jesus como Salvador e Senhor, entre eles podemos citar:

· Os três mil convertidos no dia de Pentecoste (At 2.37-42);

· Os samaritanos (At 8.12-30);

· O eunuco que foi evangelizado por Filipe (At 8.35-38);

· Saulo (Paulo) que foi batizado por Ananias (At 9.17-17-18; 22.16)

· Cornélio e sua família (At 10.44-48)

· Lídia na cidade de Filipos (At 16.25-34)

· O carcereiro na prisão de Filipos (At 16.25-34)

· Os discípulos de João Batista quando se tornaram discípulos de Jesus (At 19.1-5)

Entretanto, apesar de tudo que aprendemos até aqui, é provável que você ainda tenha dúvidas em relação a necessidade e a importância do batismo para a vida cristã. Talvez ainda esteja se perguntando: Que méritos tem esse ritual para a minha vida com Deus? Qual o significado desse ato? Por que devo me batizar? O batismo é obrigatório ou opcional?

II. A IMPORTÂNCIA DO BATISMO:

O batismo é assunto de extrema importância tanto para a igreja quanto para sua vida em particular. É através do batismo que o novo convertido passa a ser considerado parte integrante do povo de Deus, é através dele que o novo crente afirma seu compromisso com Cristo e a igreja e esta passa a reconhecê-lo como membro. Sem esse compromisso ninguém é aceito como sendo parte da família de Deus, sem fazer parte dessa família, você fica impossibilitado de crescer espiritualmente conforme o que deseja o Senhor Jesus. Através da comunhão com a igreja, especialmente em seu relacionamento com o Senhor e com os outros irmãos e irmãs é que você crescerá e poderá alcançar à maturidade espiritual.

III. O SIGNIFICADO DO BATISMO:

1. Definição - A palavra batismo significa “mergulho”, “submersão”. É a primeira ordem que o Senhor Jesus nos deu, através do qual o novo convertido passa a fazer parte d o corpo de Cristo, ou seja, a igreja.

2. Conceito – O batismo ilustra a experiência da regeneração efetuada pelo Espírito Santo no pecador, experiência esta que se relaciona com a morte e ressurreição de Cristo. Isto significa que quando o pecador aceita a Cristo como seu salvador, passa por uma transformação tão extraordinária, que só pode ser explicada como sendo morte e sepultamento do velho homem e ressurreição de uma nova criatura, livre para viver uma nova vida com Deus. Em outras palavras, quando o pecador aceita a morte de Jesus como uma morte vicária, isto é, para substituí-lo diante da justiça de Deus, morre também com Ele, mas assim como Jesus não ficou na sepultura, mas ressuscitou, aquele que crê em Jesus ressuscita juntamente com Ele para a vida eterna. Desse modo o batismo simboliza a morte para o mundo e a ressurreição para uma nova vida de fé em Jesus. É evidente que essa regeneração para uma nova vida de fé não se dá no momento do batismo, mas sim no momento em que a pessoa se submete a Cristo pela fé. O batismo apenas simboliza, representa uma decisão já tomada pelo novo convertido, é uma forma de demonstrar a todos, à família, à sociedade, à igreja, ao céu e ao inferno, o seu compromisso com Deus.

IV. A NECESSIDADE DO BATISMO:

É necessário porque o próprio Jesus ordenou – o batismo nas águas não é uma opção para aquele que se converte, é um mandamento expresso de Deus: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.19-20); “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Mc 16.15-16). Todo crente fiel que tem convicção de sua decisão e ama ao Senhor terá alegria em cumprir esse mandamento. A admissão no Reino de Deus se dá através da fé no sacrifício de Cristo associada ao verdadeiro arrependimento, todavia, é o ato do batismo que exterioriza essa fé, que torna seu compromisso visível a todos.

É necessário porque Jesus nos deu o exemplo - “Por esse tempo, dirigiu-se Jesus da Galiléia para o Jordão, a fim de que João o batizasse. Ele, porém, o dissuadia, dizendo: Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por enquanto, porque, assim, nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o admitiu. Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.13-17). Era da vontade de Deus que se batizassem todos os que aceitassem o seu reino, do qual João Batista era o precursor. Por isso Jesus, apesar das palavras de João, deu o exemplo batizando-se nas águas do rio Jordão.

V. O MÉTODO BÍBLICO DO BATISMO:

A água respingada sobre a cabeça ou face, óleo na fronte e tantas outras invenções que vemos por aí, não passam de criações do homem não respaldadas e nem ensinada pela Bíblia. Por essa razão, orientamos aos novos convertidos que se submetam unicamente ao batismo bíblico, que é por imersão total, ou seja, é necessário mergulhar o corpo em água. Existem basicamente quatro evidências de que a forma bíblica do batismo é a imersão:

1. A evidência bíblica – os textos que narram o batismo de Jesus dizem: “Batizado Jesus, saiu logo da água...” (Mt 3.16); “Logo ao sair da água...” (Mc 1.10). O texto que conta o batismo do eunuco realizado por Filipe declara: “Seguindo eles caminho fora, chegando a certo lugar onde havia água, disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que seja eu batizado? Filipe respondeu: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Então, mandou parar o carro, ambos desceram à água, e Filipe batizou o eunuco. Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, não o vendo mais o eunuco; e este foi seguindo o seu caminho, cheio de júbilo” (At 8.36-39).

Esses textos não deixam dúvidas. É improvável que, vezes seguidas, os ministrantes dos batismos tivessem que entrar na água com os que eram batizados se o fossem por aspersão, aliás, se fosse assim, por aspersão, nem mesmo o candidato ao batismo precisaria entrar na água. Você concorda?

2. A evidência do significado da palavra – como vimos no início da lição, A palavra batismo vem do grego “baptizo” e significa “mergulho”, “submersão”, “imergir completamente”. Se a própria palavra traz esse sentido, é claro que as demais formas de batismo não estão baseadas no ensino bíblico.

3. Evidência histórica – os livros de História Eclesiástica, que contam a história da igreja, afirmam que até o ano de 150 d.C, aproximadamente, só era praticada a imersão como forma de batismo.

4. Evidência do simbolismo do batismo – desde que o batismo simboliza a morte, o sepultamento e a ressurreição, como já foi dito anteriormente, a sua administração (aplicação) não pode ser outra a não ser por imersão.

VI. CONCLUSÃO:

Na “Grande Comissão” registrada em Mt 28.19-20, Jesus nos mandou fazer discípulos, batizando-os e ensinando-lhes todas as coisas. É importante notar que todo o texto desta referência tem força de mandamento. O Novo Testamento, e especialmente o livro de Atos, nos mostra que os discípulos aceitaram as palavras de Jesus como mandamento. Eles reconheceram a importância de fazer discípulos, batizar e ensinar. É verdade que o batismo não salva, mas é necessário que você seja batizado conforme claramente ensina a Palavra de Deus. O batismo nas águas é uma demonstração pública de que você morreu para o mundo e está assumindo uma nova vida em Cristo: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20).

“Tá tão difícil fingir que tá fácil!”

Outro dia, fizemos uma confraternização entre o pessoal da editora para a qual faço alguns trabalhos. Era um daqueles dias lindos, onde todos se disponibilizam para o riso e os abraços. Estávamos num sítio e os homens e meninos resolveram jogar bola, enquanto as mulheres assistiam e riam da falta de preparo físico deles...

Claro que o objetivo era a diversão e tudo acontecia assim. Num determinado momento, aproximei-me das grades da quadra, perto da trave. Para a minha surpresa, veio um deles, agarrou-se na grade e confessou, exausto, suando, como quem pede socorro: “Ai, tá tão difícil fingir que tá fácil!”

A confissão foi tão espontânea e inesperada que comecei a rir, mas imediatamente tive um insight, “caiu uma ficha”, como dizem. Pensei comigo mesma: é realmente muito difícil, em alguns momentos de nossa vida, fingir que tá fácil, mas ainda assim a gente insiste em fingir, sem se dar conta de que isso só aumenta mais a dificuldade, tanto a física, quanto a mental e, principalmente, a emocional.

Fica fazendo cara de feliz e até sorrindo feito bobo, só pra disfarçar a dor que lateja por dentro, a tristeza que machuca sem parar, a mágoa por algo que aconteceu e não sabemos o que fazer com a realidade.

Talvez um emprego que perdemos ou nem conseguimos conquistar; um amor que acabou ou que nem começou; um amigo ou irmão com quem brigamos e não sabemos como fazer as pazes; uma raiva absurda que toma conta da gente por causa de uma situação em que nos sentimos contrariados, diminuídos, humilhados...

Enfim, muitas vezes, vivemos situações que nos provocam o desejo de xingar, gritar, esbravejar, argumentar e chorar feito criança, sem se importar com as caretas, as lágrimas, o barulho... só chorar, chorar e chorar até pegar no sono... Mas não! Não nos permitimos amolecer. Permanecemos durões, engolindo a dor a seco, sentindo a tristeza passar pela garganta como se fosse espinha de peixe enroscada... arranhando, incomodando, doendo mais. E lá estamos nós... fingindo que está fácil!

Pois bem, não sei quanto a você, mas estou decidida, cada vez mais, a mostrar o que sinto, mesmo sabendo e confessando que também não é nada fácil. No entanto, é bem mais fácil se expor e mostrar os sentimentos, tentando digeri-los e transformá-los em aprendizado, do que fingir, camuflar, parecer sem ser, viver sem se aprofundar, amar sem ser intenso, sentir sem se entregar.

Não estou, de forma alguma, sugerindo que você alimente sentimentos como raiva, tristeza e desesperança. Muito pelo contrário: estou sugerindo que você os assuma, sinta-os e, assim, possibilite o fim de cada um deles. Porque enquanto a gente finge que não está sentindo, eles continuam lá, enroscados. Mas quando a gente se assume e os expõe, eles passam, acabam, vão embora. Claro que, sobretudo, este tem de ser o nosso objetivo!

Aproveito, então, para sugerir: pare de fingir. Pare de sustentar um ego que só te faz ser quem você não é (ou seja, ninguém!) e te distancia de sua verdadeira essência. Pare de se importar tanto com o que vão pensar sobre você e se concentre mais na sua humanidade, na sua vontade de crescer e se tornar melhor, lembrando sempre de que a gente só consegue sair de um lugar e chegar a outro quando tem consciência de onde está e, sobretudo, para onde deseja ir.

Que você vá além e ultrapasse qualquer caminho que não seja o seu. Saia do fingimento e vá para o autêntico, porque só assim é que a vida vale a pena e é só aí que o amor encontra espaço!

Texto de:

R O S A N A B R A G A

Pesquisadora da área há mais de 10 anos, ela surpreende ao propor atitudes e soluções no complexo mundo das relações, conduzindo as pessoas a se apoderarem de seu potencial e ressaltando a diferença entre “quem quer” e “quem faz”.
Palestrante em Relações Interpessoais e Desenvolvimento Profissional, escritora, jornalista e consultora em relacionamentos.
Reconhecida como uma das maiores especialistas em relacionamentos interpessoais do país, Rosana Braga desenvolve um trabalho considerado inspirador e eficaz, promovendo mudanças no âmbito pessoal e profissional.


Autora dos livros:
. O Poder da Gentileza - Ed. Minuano
. Gigantes da Motivação - Ed. Venda Mais - (autora convidada)
. Faça o Amor Valer a Pena – Ed. Gente
. Alma Gêmea – Segredos de um Encontro – Ed. Alaúde
. AMOR - sem regras para viver – Ed. Alaúde

Momento de Reflexão e Transformação:

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um 'não'. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Brigadeirão de Microondas


Ingredientes:

  • 1 lata de leite condensado
  • 1 lata de creme de leite
  • 1 colher de chá de margarina
  • 3 ovos
  • 1 xícara de chá de chocolate em pó
  • ¼ xícara de açucar
  • Chocolate granulado a gosto

Modo de Preparo:


Colocar todos os ingredientes no liquidificador (menos o chocolate granulado) e bater até misturar bem. Não há uma ordem específica para os ingredientes, pode colocar na ordem que quiser. Colocar na forma, tampar (como a minha forma não tem tampa eu tapei c/ um prato) e levar ao forno de microondas por sete minutos + ou-, depende da potência do seu. Depois, basta desenformar em um prato, jogar chocolate granulado por cima e deixar na geladeira até a hora de servir. Você pode variar na cobertura usando coco ralado, pedacinhos de chocolate raspado, chantilli, cerejas, ameixas, etc, use a sua criatividade e bom apetite!

LIÇÃO 8: ENTENDENDO A DOUTRINA DA TRINDADE

I. INTRODUÇÃO:

Nas lições anteriores aprendemos sobre muitos dos atributos de Deus. Mas se compreendêssemos somente esses atributos, de modo nenhum compreenderíamos corretamente a Deus, pois não entenderíamos que Deus, no seu próprio ser, sempre existiu como mais de uma pessoa. De fato, Deus existe como três pessoas, porém é um só Deus.

É importante lembrar a doutrina da Trindade em relação com o estudo dos atributos de Deus. Quando concebemos a Deus como ser eterno, onipresente, onipotente e assim por diante, talvez tenhamos a tendência, em relação a esses atributos, de concebê-lo apenas como Deus Pai. Mas o ensinamento bíblico sobre a Trindade nos diz que todos os atributos de Deus valem para as três pessoas, pois cada uma delas é plenamente Deus. Assim, Deus Filho e o Espírito Santo são também eternos, oniscientes, onipresentes, onipotentes, infinitamente sábios, infinitamente santos, infinitamente amorosos, e assim por diante.

A doutrina da Trindade é uma das mais importantes da fé cristã. Estudar os ensinamentos bíblicos sobre a Trindade lança forte luz sobre a questão que está no âmago da nossa busca de Deus: como é Deus em si mesmo? Aqui aprenderemos que Deus, em si mesmo, existe nas pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo, sendo, porém um só Deus.

II. A REVELAÇÃO PARCIAL NO AT

A palavra Trindade não se encontra na Bíblia, embora a idéia representada pela palavra seja ensinada em muitos trechos. Trindade significa “tri-unidade” ou “três em unidade”. É usada para resumir o ensinamento bíblico de que Deus é três pessoas, porém um só Deus.

Às vezes se pensa que a doutrina da Trindade se encontra somente no NT e não no AT. Se Deus existe eternamente como três pessoas, seria surpreendente não encontrar indicações disso no AT. Embora a doutrina da Trindade não se ache explicitamente no AT, várias passagens dão a entender e até implicam que Deus existe como mais de uma pessoa, por exemplo, em Gn 1.26, Deus disse: “Façamos o homem a nossa imagem conforme a nossa semelhança”; em Gn 3.22: “Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal”. A melhor explicação é que já nos primeiros capítulos de Gn temos uma indicação da pluralidade de pessoas no próprio Deus; essas passagens não apresentam quantas pessoas são, e nada temos que se aproxime da completa doutrina da Trindade, mas é uma implicação de que há mais de uma pessoa.

Além disso, em determinadas passagens uma pessoa é chamada de “Deus” ou “Senhor” e distinguida de outra pessoa também chamada de Deus. Em Sl 45. 6-7, o salmista diz: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amas a justiça e odeias a iniqüidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria, como a nenhum dos teus companheiros”. No NT, o autor de Hebreus cita esta passagem e a aplica a Cristo (Hb 1.8). Do mesmo modo, no Sl 110.1, Davi fala: “Disse o SENHOR ao meu senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés”. Em Mt 22.41-46, Jesus explica que Davi se refere a duas pessoas distintas como “Senhor”, mas quem é o Senhor de Davi senão o próprio Deus? E quem poderia dizer a Deus: “Assenta-te a minha direita”, exceto alguém que também seja plenamente Deus? Do ponto de vista do NT podemos parafrasear esse versículo da seguinte maneira: “Deus Pai disse a Deus Filho: Assenta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés”.

III. PROVAS DO NOVO TESTAMENTO

Quando começa o NT, entramos na história da vinda do Filho de Deus à terra. Era de se esperar que esse grande acontecimento se fizesse acompanhar de ensinamentos mais explícitos sobre a natureza trinitária de Deus, e de fato é isso que encontramos. Devido a escassez de tempo e espaço, abordaremos apenas algumas passagens em que as três pessoas aparecem juntas:

Quando do batismo de Jesus, “eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16-17). Aqui, ao mesmo tempo, temos os três realizando três ações distintas, Deus Filho é batizado; Deus Pai fala de lá do céu; e o Espírito Santo desce, em forma de uma pomba, para pousar sobre Jesus.

Ao final de seu ministério terreno, Jesus diz aos discípulos que eles devem ir e fazer “discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Os próprios nomes “Pai e Filho”, baseados na família, a mais comum das instituições humanas, indica com muita força a distinção das pessoas da Trindade.

Quando nos damos conta de que os autores do NT geralmente usam o nome “Deus” (gr. Theos) para se referir ao Pai e nome “Senhor” (gr. Kyrios) para se referir ao Filho, fica claro que há outros termos que indicam a tri-unidade de Deus, como é o caso de I Co 12.4-6; II Co 13.13; Ef 4.4-6; I Pe 1.2; Jd 1.21.

IV. QUAIS AS DISTINÇÕES ENTRE O PAI, O FILHO E O ESPÍRITO?

Em certo sentido a doutrina da Trindade é um mistério que jamais seremos capazes de entender plenamente. Todavia, podemos compreender parte de sua verdade resumindo o ensinamento bíblico em três declarações:

1º. Deus é três pessoas; 2º. Cada pessoa é plenamente Deus; 3º. Há um só Deus.

Se dissermos que cada membro da Trindade é plenamente Deus, e que cada pessoa participa plenamente de todos os atributos divinos, será que há, afinal, alguma diferença entre as pessoas da Trindade? Não podemos dizer, por exemplo, que o Pai é mais poderoso ou mais sábio que o Filho, ou que o Pai e o Filho são mais sábios do que o Espírito, ou que o Pai já existia antes do Filho e do Espírito, pois ao dizer qualquer uma dessas coisas seria negar a divindade de algum dos membros da Trindade. Mas, então, qual é a diferença, quais as distinções entre as três pessoas da Trindade?

Quando as Escrituras abordam o modo como Deus se relaciona com o mundo, tanto na criação quanto na redenção, afirmam que as pessoas da Trindade tem funções ou atividades primordiais diferentes. Isso é chamado de “economia da Trindade”, sendo o termo economia usado no sentido “ordenamento de atividades”. A “economia da Trindade” trata das diferentes formas como as três pessoas agem no seu relacionamento com o mundo e umas com as outras.

Percebemos essas diferentes funções na obra da criação. Deus Pai proferiu as palavras criadoras para gerar o universo, mas foi o Filho, a eterna Palavra de Deus, quem executou os decretos da criação. “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Além disso, “nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele” (Cl 1.16). O Espírito Santo também estava ativo, de um modo diferente, pois “pairava” ou “movia-se” por sobre a superfície das águas (Gn 1.2), aparentemente sustentando e manifestando a presença imediata de Deus na sua criação (Sl 33.6), onde o termo traduzido por “sopro” devesse talvez ser vertido como “Espírito”;( Sl 139.7).

Na obra da redenção também há funções distintas. Deus Pai planejou a redenção e enviou seu filho ao mundo (Jo 3.16; Gl 4.4; Ef 1.9-10). O filho obedeceu ao Pai e realizou a redenção para nós (Jo 6.38; Hb 10.5-7). Deus Pai não veio morrer pelos nossos pecados, nem o Espírito Santo de Deus. Isso foi obra específica do filho. Então, tendo Jesus ascendido de volta aos céus, o Espírito Santo foi enviado pelo Pai e pelo filho para realizar em nós a redenção. Jesus fala do “Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome” (14.26), mas também diz que ele mesmo enviará o Espírito Santo, pois afirma –“Se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” (Jo16.7)- e fala de um tempo quando virá “o consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade” (Jo15.26). É papel especialmente do Espírito Santo dar-nos regeneração ou nova vida espiritual (Jo 3.5-8), santificar-nos (Rm 8.13) e fortalecer-nos para o serviço (At 1.8; I Co 12.7-11). Em geral, a obra do Espírito Santo é aparentemente levar à cabo a obra planejada por Deus Pai e iniciada por Deus Filho.

Assim podemos dizer que o papel do Pai na criação e na redenção foi planejar, dirigir e enviar o Filho e o Espírito Santo. Isso não é de admirar, pois mostra que o Pai e o Filho se relacionam um com o outro como pai e filho numa família humana: o pai dirige e tem autoridade sobre o filho, e o filho obedece e é submisso à ordem do pai. O Espírito Santo é obediente às ordens tanto do Pai quanto do Filho.

Portanto, embora as pessoas da Trindade sejam iguais em todos os seus atributos, assim mesmo diferem nas suas relações com a criação. O Filho e o Espírito Santo são iguais em divindade a Deus Pai, mas são a ele subordinados em suas funções.

Portanto, as diferentes funções que vemos o Pai, o Filho e o Espírito desempenharem são simplesmente ações exteriores de uma relação eterna entre as três pessoas, relação essa que sempre existiu e existirá por toda a eternidade. Deus sempre existiu como três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Por fim, podemos dizer que não existem diferenças em divindade, atributos ou natureza entre as três pessoas da Trindade, cada um é plenamente Deus e tem todos os atributos de Deus. As únicas distinções estão nas formas como se relacionam uns com os outros e com o restante da criação. Nessas relações eles desempenham papeis apropriados à cada pessoa.

Essa verdade sobre a Trindade já foi resumida na frase: “igualdade ontológica, mas subordinação econômica”, em que a palavra ontológica significa “ser”. Outro modo de explicar de maneira mais simples seria dizer “iguais no ser, essência e natureza, mas subordinados nos seus papeis e funções ”. Mas se não há subordinação econômica, então não existe diferença inerente no modo como as três pessoas se relacionam e consequentemente não temos as três pessoas distintas que existem como Pai, Filho e Espírito. Por exemplo, se o Filho não está eternamente subordinado ao Pai no seu papel, então o Pai não é eternamente Pai nem o Filho eternamente Filho. É por isso que a idéia de igualdade eterna do ser, mas subordinação nos papéis é essencial à doutrina da Trindade desde que foi formulada no Credo de Nicéia, que dizia que o Filho “foi gerado do Pai antes de todas as eras” e que o Espírito Santo “procede do Pai e do Filho”.