sábado, 1 de agosto de 2009

LIÇÃO 7: VIVENDO CHEIO DO ESPÍRITO SANTO

I. INTRODUÇÃO:

Viver cheio do Espírito Santo significa ser alegre, confiante, estar sempre revestido do poder e autoridade de Deus, mesmo diante de dificuldades a pessoa cheia do Espírito consegue crer, ter fé e esperança nas promessas de Deus. Por intermédio dessa virtude muitos cristãos enfrentaram os perigos com destemor. Os que realmente eram cheios do Espírito jamais voltaram atrás, no entanto, aceitaram o martírio, corajosamente, cientes de que eram bem-aventurados. Isso só foi possível, porque experimentaram uma vida repleta do Espírito.

O que é Batismo com o Espírito Santo?

1º. É uma promessa de Deus (Jl 2.28-29)

Deus fez ao homem, aproximadamente 8.000 promessas, sendo o batismo no Espírito Santo é uma delas. No passado, o Espírito Santo manifestava-se de forma específica, de acordo com a necessidade, ele operava nas vidas dos servos de Deus. No entanto, o Senhor prometeu derramar o seu Espírito sobre todos os homens, para que profetizassem e tivessem sonhos. O batismo no Espírito Santo é uma benção atual e está ao alcance de todos os que crêem.

2º. É um revestimento de poder (Mc 16.17-18)

Os discípulos, antes do batismo no Espírito Santo, eram tímidos e medrosos. Inclusive, no dia da prisão de Jesus, todos fugiram, com exceção de Pedro, que acompanhou o Mestre até o local onde foi julgado, entretanto, na casa do sumo sacerdote Caifás, Pedro, aquele que prometeu seguir Cristo até a morte, com medo de morrer, negou-o três vezes.

Porém, no dia de Pentecoste, quando os judeus atraídos pelo barulho das línguas estranhas que os discípulos falavam, declararam que os seguidores de Jesus estavam embriagados, Pedro, revestido do poder de Deus, respondeu com ousadia e autoridade: “Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia. Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra...” (At 2.14-19). No término de sua mensagem, quase três mil pessoas aceitaram a Jesus como Salvador.

3º. É uma necessidade ( At 19.6)

O apóstolo Paulo, em sua terceira viajem missionária, encontrou, na cidade de Éfeso, alguns discípulos. Ele sempre considerou o batismo no Espírito uma necessidade na vida do cristão. Por isso perguntou àqueles discípulos se já eram batizados no Espírito. Eles responderam: “... nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo” (At 19.2). Paulo, então, orou, impondo as mãos sobre eles, e Jesus batizou-os no Espírito Santo, e falavam línguas e profetizavam.

Nos dias em que vivemos o batismo no Espírito Santo é uma necessidade real. Muitas dificuldades que enfrentamos na atualidade e as forças do mac que atuam nesse mundo, levam o homem aos vícios das drogas e bebidas, à prostituição, à violência e tantas outras coisas ruins que destroem a humanidade. Entretanto, quando a pessoa é batizada no Espírito Santo encontra forças divinas para ajuda-la a vencer todo e qualquer situação adversa. É o Espírito Santo que faz brotar no crente a fé e esperança, que o leva a buscar a Deus através de um relacionamento diário de oração e leitura bíblica, quem o faz adorar e louvar a Deus, é o Espírito quem enche o crente de alegria e força para superar e vencer qualquer desafio.

O Crente Recebe o Espírito Santo:

1. No momento de conversão (At 19.2) - No momento em que você aceita a Jesus como seu Salvador, você recebe o Espírito Santo. Foi ele quem, na hora de sua conversão, atuou em seu ser, para que você se decidisse por Cristo. Ele te convenceu que você era pecador e necessitava do arrependimento para alcançar o perdão de Deus. No instante em que você levantou as mãos como sinal de que aceitação, você experimentou uma sensação diferente de tudo o que já tinha vivido, é neste momento que a Terceira Pessoa da Trindade passa a habitar a vida do crente, que se torna templo do Deus Altíssimo (I Co 6.19).

2. Como promessa e garantia da salvação (I Co 1.22) - Dentre as muitas funções do Espírito Santo e de tudo que a Bíblia diz a respeito de sua Pessoa, destaca-se o fato de ser ele, o Espírito, o penhor, ou seja, a garantia da nossa futura herança em Cristo: “em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” ( Ef 1.13-114). Sendo assim, é o Espírito Santo que, mediante a Palavra de Deus e por meio da graça, nos capacita a atingir a glória eterna de Deus. Este selo é o penhor do futuro que nos aguarda.

Como Receber o Batismo com o Espírito

No dia de Pentecoste, os discípulos estavam reunidos, num período de oração quando, de repente, “todos ficaram cheios do Espírito” (At 2.4). Com base nesse relato podemos destacar alguns pontos:

1. À luz da Palavra de Deus, o batismo com o Espírito Santo é para pessoas de qualquer nação ou “toda carne” (At 8.17); para aquele que já tem o Espírito, ou seja, já é salvo, os discípulos, ao serem batizados no dia de Pentecostes já tinham seus nomes escritos no Livro da Vida (Lc 10.20).

2. É preciso crer com convicção na promessa divina do batismo, é somente pela fé em Cristo que recebemos o batismo (Gl 3.14), não é por mérito ou esforço próprios e sim uma dádiva de Deus para seus filhos.

3. Entretanto é preciso buscar o batismo com paciência, perseverança e em oração, isso inclui adoração, louvor e uma vida dedicada ao Senhor em obediência e submissão (At 5.32).

4. Perseverando em unidade fraternal, os discípulos “estavam todos reunidos no mesmo lugar”; estavam orando e buscando a Deus juntos, isso indica unidade, comunhão (At 2.1).

Os Resultados do Batismo com o Espírito Santo

Quando recebemos o batismo com o Espírito Santo somos revestidos do poder de Deus, isso tem duas implicações: primeira, aquele que recebe o batismo com o Espírito Santo passa a produzir o fruto do Espírito (falaremos mais detalhadamente sobre isso a seguir), isso produz um maior dinamismo espiritual, mais disposição e maior coragem na vida cristã para testemunhar de Cristo e proclamar o evangelho; para efetuar o trabalho do Senhor. Compare, neste sentido, os discípulos de Jesus, antes e depois do dia de Pentecoste, antes do batismo, medrosos, depois, intrépidos, dispostos a morrer por amor ao evangelho de Cristo, como de fato, muito foram martirizados, como por exemplo, Estevão (At 7.55-8.1). Produz também maior desejo para orar e interceder (At 2.42; 3.1; 4.24-31; 6.4; 10.9; Rm 8.26). Há uma maior preocupação da pessoa em agradar e glorificar a Deus através de sua vida, isso é demonstrado principalmente pela mudança em seus atos e atitudes (Jo 16.13-14). A pessoa passa a ter uma maior consciência de sua situação como filho de Deus (Rm 8.16-17). O batismo é também um meio para a outorga por Deus dos dons espirituais - falaremos mais sobre isso adiante.

Concepções Errôneas

Muitos crentes não têm recebido o batismo com o Espírito Santo por não entenderem claramente a doutrina do batismo com e no Espírito Santo. Algumas pessoas pensam que o batismo é o mesmo que salvação, mas o batismo (com o Espírito ou no Espírito) não é a salvação. A salvação é uma milagrosa transformação que se efetua na alma e na vida da pessoa que, pela fé, recebe a Jesus Cristo como seu suficiente Salvador.

Já outras pessoas pensam que o batismo com o Espírito é o mesmo que a santificação. Entretanto a santificação é um processo no qual o Espírito atua, porém se trata mais de um posicionamento do salvo em obedecer e seguir a Cristo, dedicando a Ele todo o seu viver. A principal diferença é que no batismo no Espírito, este vem e passa a habitar sua vida, morar dentro de você e o batismo com o Espírito é um revestimento de poder para o ingresso do crente numa vida de adoração mais profunda e intensa, geralmente há a evidencia inicial do don de línguas, sobre o qual falaremos mais adiante. Para ficar mais claros lembre-se da seguinte analogia: imagine uma garrafa cheia de água (representando o batismo no Espírito) esta garrafa pode ou não estar dentro de um balde d’água (representando o batismo com o Espírito). Como exemplo, temos o fato de os discípulos de Jesus que foram batizados com o Espírito Santo no dia de Pentecostes, como já dissemos, já eram salvos, já haviam recebido o batismo no Espírito, no entanto, no dia de Pentecostes, receberam o batismo com o Espírito, receberam o poder de Deus e isso fez toda a diferença na vida deles.

II. O FRUTO DO ESPÍRITO SANTO

“Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” (Gl 5.19-25)

Em contraste com as obras da carne, o “fruto do Espírito” possibilita ao cristão viver de modo integro diante de Deus e dos homens. Naturalmente o homem não consegue obter esta condição por esforço próprio. É necessário, portanto, submeter-se integralmente ao Espírito de Deus. O “fruto” de Gálatas 5.22, conceituado como “expressões do caráter cristão”, está no singular provavelmente por tratar-se de uma única e notável virtude implantada pelo Espírito Santo no homem. É através do fruto do Espírito que o cristão participa da natureza divina.

O fruto do Espírito consiste nas nove virtudes ou qualidades da personalidade de Deus implantada pelo Espírito no interior do crente com a finalidade de conduzi-lo à maturidade, à perfeição, ou seja, à imagem de Cristo. O fruto tem sua manifestação na vida do salvo de dentro para fora, ou seja, começa no interior da pessoa a aos poucos vai se exteriorizando. O fruto do Espírito é uma evidência de que a pessoa recebeu o batismo no Espírito Santo. Em suma, o fruto do Espírito representa os atributos de Deus, os traços de seu caráter. Que são transmitidos ao homem pelo Espírito.

O caráter cristão expressa-se plenamente através do amor. Do amor surgem todos os demais atributos de Deus que são desenvolvidos no crente pelo Espírito, é por isso que o amor aparece encabeçando a lista das virtudes cristãs geradas pelo Espírito, por ser a fonte originária de todas as demais virtudes.

O Espírito Santo produz o fruto do caráter cristão em nossas vidas à medida que cooperarmos com ele. Os dons espirituais, como as línguas, a profecia e o conhecimento são maravilhosos e úteis, mas sua presença em nossas vidas nem sempre é uma indicação de nossa maturidade cristã. A medida de nossa maturidade em Deus, depende do quanto permitimos que o Espírito produza em nós os traços da personalidade de Jesus.

Virtudes ou qualidade do Espírito Santo

1. Qualidades universais – são virtudes direcionadas ao nosso relacionamento com Deus:

  • Amor. A palavra “caridade” ou “amor” neste trecho das Escrituras é a tradução da palavra grega ágape. Este é “o amor que flui diretamente de Deus e está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5.5). É um amor de tamanha profundidade que levou Deus a dar seu único Filho como sacrifício pelos nossos pecados (Jo 3.16). Este é o amor de Jesus por nós (I Jo 3.16). É muito fácil amar as pessoas que nos amam, seus entes queridos, amigos, etc. Mas, é somente pelo Espírito Santo que você se torna capaz de amar seus inimigos, aqueles que te ofenderam ou maltrataram, é somente através do Espírito de Deus que você é capaz de desejar o bem e perdoar, de coração, à quem só te fez mal. Foi exatamente isso que Jesus fez por nós, Ele nos amou quando nós o repudiamos (Rm 5.8) e se entregou ao sofrimento voluntariamente para que pudéssemos ter um lugar junto ao Pai (Jo 14.20-21) e é exatamente isso que Ele espera que você faça.
  • Gozo ou alegria. Trata-se daquela qualidade de vida que é graciosa e bondosa, caracterizada pela boa vontade, generosa nas dádivas aos outros, resultante de um senso de bem-estar, sobretudo de bem-estar espiritual, devido uma correta relação com Deus. Apesar das dificuldades de qualquer natureza, pela atuação do Espírito Santo, o crente pode e deve estar cheio de goza em sua alma, assim como Paulo e Silas, que embora presos injustamente, ao invés de reclamar, oravam a cantavam louvores a Deus (At 16.25).
  • Paz. Trata-se de uma qualidade espiritual produzida pela reconciliação, pelo perdão dos pecados e pela conversão da alma transformada segundo a vontade de Deus (Rm 5.1-5). A queda do homem no pecado destruiu o relacionamento de amizade, confiança e paz que existia entre o homem e seu Criador, e também maculou o relacionamento entre os homens, e também consigo próprio, pois o homem perdeu a paz com a própria consciência. Foi por meio da morte e ressurreição de Cristo que Deus estabeleceu a paz (Cl 1.20). Apesar de viver em um mundo cercado de pecado e violência o crente pode ter tranqüilidade e confiança, pois essa virtude lhe é concedida pelo Espírito de Deus.

2. Qualidades sociais – estão ligadas ao relacionamento entre os irmãos:

  • Longanimidade. É uma qualidade atribuída a Deus, isso quer dizer que Ele tem tolerado pacientemente todas as iniqüidades do homem. Não se deixando levar pela ira e furor, manifesta seu amor, bondade e misericórdia, não lançando mão de sua justa indignação. De nós, crentes, é esperado que nossas relações com outros homens se caracterizem pela longanimidade do mesmo modo que Deus tem agido conosco (Cl 1.10-11; 3.12). Pense um pouco, se Deus não fosse misericordioso e não agisse com longanimidade, onde você estaria?
  • Benignidade. No original grego significa “bondade” ou “honestidade”. O crente que possui esta virtude é afável e gentil para com seu semelhante não se mostrando arrogante, ignorante, inflexível ou amargo. Deus é a fonte dessa virtude e Cristo, nosso melhor exemplo. Jesus foi uma pessoa imensamente gentil, conforme vemos na Palavra. Essa virtude torna o crente um ser bondoso e agradável.
  • Bondade. Representa a generosidade que flui de um relacionamento saudável com Deus. Se antes de se converter você praticava o mal, agora passa a ser bem para todos, sem acepção de pessoas.
  • Fé ou fidelidade. No original grego significa tanto “confiança” quanto “fidelidade”. A fé aqui indica a confiança em Jesus Cristo (Ef 2.8-9). Mediante essa qualidade do fruto, podemos alcançar a plenitude de Cristo (Ef 4.13). A medida que o fruto do Espírito amadurece em nós, nossa confiança em Deus é fortalecida. A fé não é produto humano, ela ocorre através da operação divina e consiste na “certeza das coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hb 11.1).
  • Mansidão. Trata-se de uma submissão do homem para com Deus, e em seguida, para com o próprio homem. A mansidão é o resultado da verdadeira humildade, que nos leva ao reconhecimento do valor alheio e recusa do nos considerarmos superiores. Jesus disse: “Bem aventurado os mansos, porque eles herdarão a terra” (Mt 5.5). Essa virtude o torna manso, calmo, quanto anteriormente era nervoso, agressivo, se irava por qualquer coisa que o contrariava.
  • Temperança. Essa virtude parece ser o somatório de todas as outras, quem a possui é sóbrio, moderado, prudente, ou seja, tem domínio próprio. Na Bíblia podemos encontrar inúmeros exemplos que pessoas que agiram sem pensar e por isso sofreram conseqüências desastrosas, em contrapartida, há aqueles que agiram com temperança e foram muito bem sucedidos. Você conseguiria lembrar de alguém nessa situação?

CONCLUSÃO:

Muitos cristãos pensam ser possível cultivar somente algumas das manifestações do fruto do Espírito, negligenciando, assim as outras. Não é possível ser cristão completo quando em nossas vidas faltam vários elementos que formam o fruto do Espírito. Se eu tiver amor e não tiver fé, não sou completo, se tiver todas as outras características e agir sem pensar, não estou agindo da forma como o Senhor espera, ou seja, não estou agindo segundo a vontade de Deus.

O fruto do Espírito forma em suas manifestações um conjunto harmônico. Imaginemos uma grande orquestra, com inúmeros músicos, cada qual com seu instrumento, seja ele de cordas ou de sopro. No dia da grande apresentação, se um instrumento estiver danificado ou desafinado toda a orquestra será lesada, todo o grupo sofrerá, pois a harmonia não soará como deve e assim o espetáculo será prejudicado.

Da mesma forma, tomando como base o exemplo que Jesus no dá em Jo 15, temos uma árvore saudável, vistosa e frutífera, os galhos enxertados nessa árvore jamais poderão produzir algo que não seja de sua natureza, por exemplo, uma videira jamais produzirá goiabas, tampouco, uma árvore doente terá frutos saudáveis. Considerando que a árvore em que fomos enxertados é Cristo, não basta apenas, darmos frutos, esses frutos precisam ser de uma qualidade superior, de forma a honrar a árvore.

Assim, o fruto do Espírito não é produzido na vida de alguém que vive de qualquer maneira. O cristão precisa dedicar-se à oração, ao estudo sistemático da Palavra de Deus e enfrentar problemas e dificuldades para que possa crescer espiritualmente e chegar à maturidade.

Ao analisarmos, uma a uma, as virtudes do fruto do Espírito, chegamos a conclusão de que para alcança-lo há um preço a ser pago, entretanto, a alegria de conquista-lo e mantê-lo é imensurável e certamente gerará grandes recompensas.

sexta-feira, 31 de julho de 2009



segunda-feira, 20 de julho de 2009

LIÇÃO 6: CONHECENDO O ESPÍRITO SANTO

I. INTRODUÇÃO:

A nossa salvação é obra de Deus, e não de homens. Por isto podemos ter segurança da vida eterna. Jesus Cristo, verdadeiramente homem e Deus, realizou uma obra completa para nossa salvação. Como profeta, Ele nos deu uma revelação completa sobre Deus e sobre sua vontade para nossas vidas (Jo 1.18). Como sacerdote, ofereceu-se a si mesmo como sacrifício por nós, e o seu sangue “nos purifica de todo o pecado” (Jo 1.7). Ele está à direita de Deus intercedendo por nós (Rm 8.33-34). Como Rei, Jesus nos chamou, através da Palavra e no Espírito Santo, nos reuniu em seu corpo, que é a igreja, nos dirige, nos protege e nos aperfeiçoa. Por isso, quando estava morrendo na cruz Ele pôde dizer: “Está consumado!” (Jo 19.30). Estava completa a obra que Jesus veio fazer por nós, agora só restava a obra a ser feita em nós.

A obra de Jesus por nós é completa, mas ela não alcança o seu objetivo sem a obra do Espírito Santo em nós. Por isso Jesus disse aos discípulos: “Convém que eu vá, porque se eu não for o Consolador não virá para vós; se porém eu for vo-lo enviarei” (Jo 16.7). É o Espírito Santo quem aplica em nós a obra redentora de Cristo. Ele atua nos corações dos pecadores e os leva a receber a Cristo como Salvador, atua também nas vidas daqueles que foram salvos, levando-os a crescer na graça e no conhecimento.

Considerando o que a Bíblia expõe quanto a natureza do Espírito Santo, podemos nos certificar que ele não é apenas uma influência, força ou energia cósmica, conforme algumas religiões, erroneamente, ensinam. Antes, ele é um ser vivo, o Espírito é um com o Pai e com o Filho, é a Terceira Pessoa da Trindade, ele é uma pessoa claramente divina que possui as mesmas qualidade inerentes ao Pai e ao Filho. Ele atua sobre os homens através de sua influência, personalidade e presença. É o Espírito que convence o homem do seu estado pecaminoso e da condenação eterna, levando-o ao arrependimento.

II. O ESPÍRITO SANTO NO AT

A atuação do Espírito Santo não se limita ao período do NT. Ele está presente e atuante na história da humanidade desde a criação: “No princípio criou Deus o céu e a terra (...) e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas” (Gn 1.1-2). O Espírito Santo estava sobre Moisés e Josué, quando eles guiavam o povo de Israel para a terra prometida. Foi ele quem deu habilidade a Bezalel para fazer as obras de arte para o tabernáculo (Ex 35.31). Foi ele que capacitou os 70 anciãos para ajudarem Moisés (Nm 11.16-25). Foi ele quem revestiu os juizes de poder e autoridade para libertar e julgar o povo de Israel (Jz 3.10; 6.34; 11.29; 13.25; 14.6-9; 15.14). Quando Saul e Davi foram ungidos reis, o Espírito Santo veio sobre eles para qualificá-los para essa importante missão (I Sm 10.6-10; 16.13-14).

O Espírito Santo falou através dos profetas (Ne 9.30). Inspirou os escritores da Bíblia (II Tm 3.16; II Pe 1.21). Mas foi no dia de Pentecostes que o Espírito Santo veio para ficar para sempre com o povo de Deus. É importante notar a linguagem empregada no AT e NT. No AT se diz que o Espírito Santo vinha sobre indivíduos, no NT, mais especificamente a partir do dia de Pentecostes, o Espírito Santo habita nas pessoas. No AT o Espírito Santo vinha sobre seres humanos e capacitava-os para determinadas tarefas, já no NT, o Espírito Santo habita (mora) aquele que se converte e estimula-o a realizar de coração a vontade de Deus.

III. O ESPÍRITO SANTO NO MINISTÉRIO DE JESUS

O Espírito Santo agiu e sempre agirá em função do pacto da redenção. Ele preparou o caminho para a vinda do Salvador, esteve com Ele em sua vida, morte e ressurreição. Ele está conosco como o selo e “penhor da nossa salvação” (Ef 1.14). Jesus declarou: “O Filho nada pode fazer de si mesmo” (Jo 5. 19). Quando disse isso Ele se referia ao seu relacionamento com o Pai, mas, essas mesmas palavras laçam luz sobre a dependência que o Filho tem do Espírito Santo.

Jesus foi gerado no ventre de Maria pelo Espírito Santo. Quando o anjo disse a ela: “Eis que conceberás e darás a luz um filho a quem chamarás pelo nome de Jesus” (Lc 1.31). Ela respondeu: “Como será isso, pois não tenho relação com homem algum?” Respondeu-lhe o anjo: “Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1.34-35). Jesus, como segunda pessoa da Trindade, sempre existiu; mas como homem, Ele passou a existir a partir do momento que foi gerado pelo Espírito Santo.

João Batista veio como precursor de Jesus, para preparar-lhe o caminho. Ele foi preparado para isso, sendo cheio do Espírito Santo desde o ventre materno (Lc 1. 15).

Toda a vida terrena de Jesus foi vivida sob a ação do Espírito Santo. Quando Ele foi batizado por João Batista, o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma física de uma pomba (Mt 3.13-17). “A seguir Jesus foi levado pelo Espírito, ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mt 4.1). E, com a assistência do Espírito Santo, Ele venceu o Tentador. Quando expulsava demônios, Jesus o fazia pelo poder do Espírito (Mt 12.28). Seus milagres eram feitos pela unção do Espírito (Lc 4.18, At 10.38). Jesus se ofereceu como sacrifício por nós, sob a assistência do Espírito Santo (Hb 9.14). E por fim, o Pai, por intermédio do Espírito Santo “ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos” (Rm 8.11).

IV. A DESCIDA DO ESPÍRITO SANTO NO PENTECOSTES

No dia de Pentecostes o Espírito Santo veio para ficar para sempre com os servos de Jesus conforme Ele havia prometido (Jo 14.16). O livro de Atos dos Apóstolos registra que “ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente veio do céu um som como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa... e apareceram distribuídas entre eles, línguas como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo, e passaram a falar em outras línguas segundo o Espírito lhe concedia que falassem” (At 2.1-4).

Como era um dia especial para os judeus, Jerusalém estava cheia de pessoas de diferentes paises. Alguns eram judeus nascidos fora da Palestina, outros eram prosélitos do judaísmo. Uma enorme multidão dirigiu-se para o local onde os apóstolos estavam, o mais extraordinário é que os apóstolos receberam o dom de falar línguas que não conheciam, e assim cada pessoa ouvia a pregação do Evangelho em sua própria língua materna. “Estavam, pois, atônitos, e se admiravam dizendo: Vede! Não são porventura galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, isso cada um em nossa própria língua materna... as grandezas de Deus?” (At 2.7-12).

As “línguas como que de fogo” que pousaram sobre cada um deles foi o meio que Deus usou para dissipar a desconfiança que podia existir no grupo. Judas Iscariotes tinha traído o mestre; Pedro o negara; e Tomé, a princípio descreu de sua ressurreição. Por isso, podia haver um clima de desconfiança dentro do grupo. Sem um sinal visível de que cada um recebera o Espírito Santo, um poderia questionar se o outro também o tinha recebido. Com aquela manifestação visível ficou claro que todos receberam o Espírito. E as línguas que passaram a falar eram símbolos da universalização do Evangelho. Em Babel Deus havia confundido a linguagem do povo. Por causa da rebeldia contra o Criador, cada um passou a falar uma língua que o outro não entendia; e assim foram dispersos pela terra (Gn 11.1-9). Mas agora estava sendo inaugurada uma nova era de salvação, e todos podiam ouvir as grandezas de Deus em sua própria língua.

O ministério do Espírito Santo foi ampliado por ocasião do Pentecostes, sem ser de forma alguma diminuído em termos do que era anteriormente. Antes do Pentecoste, como vimos, o Espírito Santo sustentava a criação e a vida natural, renovava corações, dava entendimento espiritual e dons para serviço tanto de liderança quanto de outra sorte, e ele ainda faz tudo isso.

A diferença desde o Pentecoste é que todo o seu ministério para com os salvos relaciona-se não ao Cristo que haveria de vir, como acontecia no AT, nem se relaciona mais com o Cristo presente na Terra, mas relaciona-se agora com o Cristo que veio, morreu e ressuscitou e agora reina em glória.

Nomes do Espírito Santo

Aprendemos que o Espírito Santo é uma pessoa e não uma influência, energia ou força, pois possui personalidade. Ele é divino, e lhe são atribuídas as mesmas qualidade inerentes ao Pai e ao Filho, e de acordo com as diversas funções que desempenha. As Sagradas Escrituras registram vários nomes pelos quais o Espírito Santo é conhecido ou representado:

· O Espírito de Deus. Significa que ele é executivo da divindade. Em Lc 11.20, Jesus afirma que expulsara os demônios pelo “dedo de Deus”.

· O Espírito de Cristo. Indica que o Espírito Santo é enviado por Cristo, para o glorificar e habitar no salvo (Rm 8.9).

· O Consolador. Perto de se findar o seu ministério terreno, Jesus sabia que brevemente teria que deixar seus discípulos, contudo Ele não os deixaria só, pois Jesus enviaria “outro Consolador” a fim de ficar para sempre com seus discípulos (Jo 14.16-18, 26).

· O Espírito da Verdade. O espírito do engano e do erro operam no mundo, por isso, o Senhor enviou o Espírito da Verdade para preservar seus servos das ciladas do Enganador (Jo 14.17).

· O Espírito da Graça. A graça é concedida aos crentes a fim de viverem em santidade e vencerem suas fraquezas (II Co 12.9).

· O Espírito de Vida. O poder do pecado e da morte não tem efeito sobre aqueles que recebem o Espírito de Vida (Rm 8.11).

Símbolos do Espírito Santo

O Espírito Santo também é representado através de alguns símbolos, esses símbolos indicam sua atuação em prol dos servos de Deus, consideremos os principais:

· Fogo. Este símbolo fala da ação purificadora do Espírito Santo na vida do cristão. Ao mesmo tempo que incinera a força do pecado dentro de nós, assinala a presença de Deus na vida do crente ao ilumina-lo e aquecê-lo.

· Vento. No encontro com Nicodemos (Jo 3.8), Jesus referiu-se à ação do vento para ilustrar a operação do Espírito Santo. É ele quem convence a pessoa da necessidade de arrepender-se de seus pecados e receber, pela fé, a salvação conquistada na Cruz, assim o vento simboliza a obra regeneradora do Espírito Santo.

· Tal como o vento, cuja presença é sentida, sem a necessidade do toque, assim é o Espírito de Deus. Percebemos a sua real operação na vida do crente e na Igreja, embora não consigamos vê-lo tal como é. Seus atos independem da vontade humana, pois ele é Deus, é soberano.

· Água. Jesus afirmou a Nicodemos que “aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3.5). Nesse versículo, a água simboliza a Palavra de Deus, que concede vida aos que estão mortos em seus pecados. Todavia, em Jo 7.37, o Senhor Jesus identifica-se como a verdadeira fonte da água viva, isto é, da salvação consumada por Ele e conferida aos que o aceitam, por intermédio do Espírito. Jesus afirmou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. E as Escrituras ainda nos explicam: “Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado” (Jo 7.37-39).

· Selo. Qualquer objeto que esteja selado, este selo o identifica como sendo propriedade de alguém. O selo é a garantia de que o objeto não será confundido, nem violado, pois o selo é uma marca pessoal de seu proprietário. Dessa mesma forma, o cristão é uma propriedade do Senhor. O selo do Espírito Santo, no ato da conversão, confere a garantia da vida eterna ao novo membro da família de Deus. O Espírito Santo é o penhor da nossa salvação (Ef 1.13-14). Sendo assim, a Bíblia ensina que todo crente é selado como o Espírito Santo.

· Azeite. Este é, sem dúvida, o mais conhecido dos símbolos atribuídos à Terceira Pessoa da Trindade. No AT, o azeite era usado era usado na alimentação (1Rs 17.12) e para pôr em ferimentos (Lc 10.34), para passar no corpo como cosmético (Sl 104.15), para iluminação (Mt 25.4), para a unção de doentes (Tg 5.14) e de hóspedes (Lc 7.46). Pela unção pessoas eram consagradas, separadas para serviço especial, como os reis, sacerdotes e profetas (ISm 10.1; IRs 19.15-16; Êx 28.41). Ser ungido com azeite significava estar revestido da autoridade de Deus.

· Pomba. Esta ave simboliza brandura, inocência, doçura, pureza, amabilidade e paz. Por ocasião do batismo de Jesus, no rio Jordão, João Batista viu o Espírito Santo descer do céu, em forma corpórea de uma pomba e pousar sobre Jesus para indicar que Ele era o messias. Porém isso não significa que o Espírito Santo tenha essa aparência, pois é espírito e como tal não possui corpo que se possa definir.

A Obra do Espírito Santo

1º. No pecador, o Espírito Santo regenera a natureza pecaminosa do homem, o convence de seus pecados, leva-o ao arrependimento, à confissão e ao abandono dos mesmos, através da fé em Jesus. Deste modo, regenerado pelo Espírito Santo, o pecador experimenta o novo nascimento, e torna-se uma nova criatura (II Co 5.17).

2º. No crente, a obra do Espírito Santo é consolar (Jo 14.16-17); conduzir, guiar em toda a verdade (Jo 16.13); ensinar todas as coisas e lembrar o que o Senhor já ensinou (Jo 14.26); conceder poder para testemunhar de Cristo (At 1.8); interceder (Rm 8.26); santificar, essa talvez seja a principal tarefa do Espírito nos crentes, pois é através da santificação que nos aproximamos cada vez mais de Deus (Hb 12.14). A santificação é um processo, é uma operação dinâmica e progressiva que começa na conversão e aperfeiçoa-se gradativamente durante toda a vida (II Co 7.1).

3º. A sobrevivência da Igreja só é possível graças a ação do Espírito Santo. É ele quem separa pessoas para exercerem ministérios de liderança, como pastores, evangelistas e missionários, capacitando-os, instruindo-os e direcionando-os. É o Espírito Santo quem deve administrar e direcionar a Igreja. Sem a unção do Espírito, nenhum pregador, por mais eloqüente que seja, logrará êxito em sua pregação, pois sua mensagem será vazia, insípida e sem poder. Só há salvação de almas, quando o Espírito unge a mensagem e o pregador, como aconteceu com Pedro (At 2.14 - 41) após o Pentecoste.

LIÇÃO 5: CONHECENDO JESUS

I. INTRODUÇÃO:

Ele era conhecido em sua época como Jesus de Nazaré. Trabalhou como carpinteiro a maior parte de sua vida adulta. Entretanto, Ele foi tão extraordinário pela forma como viveu e pela influência que exerceu sobre a humanidade que a palavra extraordinário não consegue caracterizá-lo.

Ninguém mais — nem reis, ditadores, cientistas, educadores ou líderes militares — deu uma contribuição maior que a de Jesus à história do mundo. Pelo menos doze bilhões de pessoas passaram por este planeta, mas até hoje, dois mil anos depois de sua morte, ninguém chegou sequer perto de ocupar a posição singular que Ele ocupa na história.

Jesus Cristo é a figura central da história do mundo, seu nascimento dividiu a história em antes de depois d’Ele. Não existe cristianismo sem Cristo; o cristianismo não é uma religião, e sim, um modo de vida cuja proposta básica é “Cristo em vós, esperança da glória” (Cl 1.27). A maior diferença na vida de um cristão de verdade é que para ele Jesus é uma realidade, é uma maneira de viver.

Não existe comparação entre Jesus e os fundadores de outras religiões, porque todos eles morreram propondo ao homem um caminho para encontrarem a verdade ou para se tornarem divindades, mas só Jesus é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6).

Podemos resumir da seguinte maneira o ensino bíblico sobre Jesus Cristo: Ele foi plenamente Deus e plenamente homem em uma só pessoa e assim o será para sempre.

II. A HUMANIDADE DE CRISTO:

Quando falamos da humanidade de Cristo, é necessário começar do início, do seu nascimento. As Escrituras afirmam claramente que Jesus foi concebido no ventre de sua mãe, Maria, por obra miraculosa do Espírito Santo, sem um pai humano: “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco). Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher. Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus” (Mt 1. 18-25). O mesmo é afirmado no evangelho de Lucas, onde lemos sobre a aparição do anjo Gabriel a Maria (Lc 1.26-38). O nascimento virginal de Jesus possibilitou a união da plena divindade e da plena humanidade em uma só pessoa. Esse foi o meio empregado por Deus para enviar seu Filho ao mundo como homem.

Como estudamos anteriormente, o ser humano herdou de Adão o pecado. Mas o fato de Jesus não ter tido um pai biológico significa que a linha de descendência de Adão é parcialmente interrompida, sendo assim, Jesus não herdou a natureza pecaminosa, esse foi o modo de Deus para fazer com que Jesus fosse completamente humano e, no entanto, não adquirisse o pecado herdado de Adão.

A completa ausência de pecado na vida de Jesus é ainda mais notável pelas tentações que enfrentou, não só no deserto, mas durante toda a vida. O autor de Hebreus afirma que “ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4.15). O fato de ter enfrentado tentações significa que Jesus possuía natureza genuinamente humana que podia ser tentada, pois a Bíblia nos ensina claramente que “Deus não pode ser tentado” (Tg1.13), portanto, foi a parte humana de Jesus que foi tentada.

O fato de que Jesus possuía um corpo exatamente como o nosso é visto em muitas passagens da Bíblia (Lc 2.7; 2.40, 2.52). Jesus ficava cansado como nós (Jo 4.6), tinha sede (Jo 19.28), fome (Mt 4.2); quando Jesus estava caminhando para a crucificação, os soldados forçaram Simão Cireneu a carregar a cruz (Lc 23.26) porque Jesus estava tão fraco depois dos açoites que não tinha forças suficiente para carregá-la sozinho.

Jesus ressuscitou em um corpo físico, ainda que aperfeiçoado e não sujeito à fraqueza, enfermidades ou morte. Ele demonstrou várias vezes aos discípulos que possui, de fato, um corpo real (Lc 24.39; 24.42; Jo 20.17, 21.9, 13). Nesse mesmo corpo humano (ressurreto, perfeito, glorificado) Jesus ascendeu ao céu (Jo 16.28, Lc 24.50-51; At 1.9). A maneira pela qual Jesus ascendeu ao céu foi planejada por Deus para demonstrar a continuidade de sua existência.

Quando examinamos o NT, vemos vários motivos pelos quais Jesus tinha que ser plenamente humano para ser o Messias e obter a nossa salvação, falaremos brevemente sobre alguns deles:

a. Para possibilitar uma obediência representativa – Jesus era nosso representante e obedeceu em nosso lugar naquilo que Adão falhou (Rm 5.12-21);

b. Para ser um sacrifício substitutivo – Se Jesus não tivesse sido homem, não poderia ter morrido em nosso lugar e pago e penalidade que nos cabia (Hb 2.16-17);

c. Para ser o único mediador entre Deus e os homens – Nós estávamos alienados, separados de Deus por causa do pecado, necessitávamos de alguém que se colocasse entre Deus e nós e nos levasse de volta a Ele. Precisávamos de um mediador que pudesse nos representar diante de Deus e que pudesse representar Deus para nós (I Tm 2.5);

d. Para se compadecer como sumo sacerdote – Se Jesus não tivesse existido na condição de homem, não seria capaz de conhecer por experiência própria o que sofremos em nossas tentações e lutas, mas porque Ele viveu como homem, é capaz de se compadecer de nós em nossas lutas, dificuldades e limitações (Hb 2.18; 4.15-16).

III. A DIVINDADE DE CRISTO:

Para completar o ensino bíblico acerca de Jesus, é necessário entendermos que além de ser plenamente humano Ele também era plenamente divino. Embora a palavra não ocorra de maneira explícita na Bíblia, a igreja tem empregado o termo encarnação para referir-se ao fato de que Jesus era Deus em um corpo humano. A encarnação foi o ato pelo qual Deus Filho assumiu a natureza humana: “porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl 2.9). É a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Cl 1.15-19).

O Senhor Jesus não veio ao mundo por acaso. Houve um planejamento da parte de Deus. Do ventre materno à sua ascensão, alguns de seus passos, palavras e atos foram preditos com antecedência de séculos, assim, o plano de Deus na formação das Escrituras e na redenção do homem não poderia estar completo sem a presença de seu Filho. Sabemos que o NT não existiria se Jesus não tivesse vindo; ele é formado por sua vida, suas palavras e obras, tanto as que foram realizadas durante sua vida terrena, como as realizadas pelos apóstolos e discípulos sob a autoridade de seu nome (At 3.16). Dessa forma, os dois testamentos se completam em Cristo.

As principais profecias acerca de Cristo que tiveram seu cumprimento nos tempos do NT são:

· Filiação divina (Sl 2,7; At 13.33; Hb 1.5).

· Concepção no ventre de uma virgem (Is 7.14; Mt 1.22-23).

· Nascimento natural (Gn 3.15; Gl 4.4).

· Descendência de Abraão (Gn 22.18; Mt 1.1).

· Procedência da tribo de Judá (Gn 49.10; Hb 7.14).

· Descendência de Davi (II Sm 7.12; Mt 1.1).

· Nascimento em Belém (Mq 5.2; Mt 2.4-6)

· Nome Emanuel (Is 7.14; Mt 1.13).

· Fuga sucedida pela morte de inocentes (Jr 31.15; Mt 2.17-18).

· O precursor (Is 40.3; Mt 3.3).

· Ensino por meio de parábolas (Sl 78.2; Mt 13.35).

· Entrada triunfal em Jerusalém (Zc 9.9; Mt 21.4-5).

· Sacrifício expiatório (Is 53.4; Mt 8.17).

· Vendido por 30 moedas (Zc 11.12-13; Mt 26.15).

· Pés e mãos traspassados (Sl 22.16; Jo 19.37).

· Lado perfurado (Zc 12.10; Jo 19. 34, 36-37).

· Ressurreição (Jó 19.25, Is 55.3; Lc 24.46).

· Recebido no céu pelo Pai (Sl 24.7; At 1.11).

Cristo é uma das pessoas da Trindade - assunto esse que abordaremos nas próximas lições - sendo igual a Deus em seus atributos, pôde administrar sem nenhum empecilho as naturezas divinas e humanas ao mesmo tempo. As expressões ditas por Ele que mostram certas limitações estão ligadas à sua humanidade. Mas, quando preciso, Ele fez valer os seus atributos divinos, como a onipotência (Jo 1.1-3) e onisciência (Jo 1.43-50). Além destes existem outros atributos em Cristo:

· Unicidade (Jo 3.16; At 4.12);

· Verdade (Jo 14.6);

· Infinidade (Mq 5.2; Hb 1.12);

· Imensidade (At 10. 36);

· Eternidade (Is 9.6);

· Inteligência (Lc 2.47);

· Sabedoria (Mt 23.34; Lc 11.49);

· Amor (Ef 3.19);

· Justiça (Jr 23.6);

· Santidade (Lc 1.35);

· Mansidão (Mt 11.29);

· Humildade (Mt 11.29);

· Obediência (Fp 2.8);

IV. CONCLUSÃO:

Para concluir, fazemos nossas as palavras do apóstolo Paulo: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus. E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes ...” (Cl 1.14-23).